Correio Braziliense - 10/11/2010
Em relação à matéria “Farra com diárias no exterior é de R$ 86 mi” (7/11, capa e págs. 14 e 15), a CGU tem as seguintes contestações a fazer: 1) A CGU estranha a utilização das informações contidas na publicação do BC como parâmetro de gasto da administração federal, o que não é correto, pois esse trabalho é feito no BC para compor as informações sobre o balanço de pagamentos do país, e, como tal, não distingue os gastos da União daqueles dos estados e municípios, nem dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. 2) Os dados sobre gastos de servidores federais em viagens ao exterior fornecidos pela CGU à repórter desmentem cabalmente a tese central da matéria, mas ela simplesmente omitiu os anos em que esses gastos sofrem quedas nos meses de julho (em relação a junho) e dezembro (em relação a novembro). A publicação dos dados completos (o que seria o correto, para não distorcer a tendência da série histórica) derrubaria, pelo menos no que se refere ao Executivo Federal, a tese da matéria, segundo a qual haveria um crescimento sistemático das despesas com viagens nesses meses, ditos “de férias”. As reduções, tendenciosamente omitidas, aconteceram nos anos de 2007 (entre junho e julho); 2008 (entre junho e julho e novembro e dezembro); 2009 (entre junho e julho); e ainda em 2010 (entre junho e julho).
» Pedro Formigli,
Assessoria de Comunicação, CGU
NR: A CGU mostrou, sim, surpresa ante os dados publicados pelo Banco Central. Tanto que um de seus funcionários ligou para o Correio pedindo à repórter que lhe ensinasse como ter acesso aos dados do BC na internet. Só depois disso a CGU se manifestou. A reportagem deixou claro que os dados com diárias no exterior fornecidos pelo BC se referem aos três poderes, não apenas ao Executivo, ao qual a fiscalização da CGU se restringe.