Quais as carreiras mais “desfalcadas” do funcionalismo federal?


BSPF     -     22/05/2019




Nos próximos anos, Ministério da Saúde deve bater o recorde no número de aposentadorias

O custo com os funcionários públicos da ativa, inativa e pensionista é alto, e em alguns órgãos tendem a ficar mais desfalcados do que outros. Em 2018, o extinto Ministério do Planejamento tinha preparado um relatório indicando quais os órgãos públicos com mais servidores em via de se aposentar, como o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ministérios, como as pastas da Agricultura e Saúde.

O jornal Gazeta Online reuniu os números de servidores que ingressaram via concursos públicos de 1995 até março de 2019, com foco nos funcionários contratados estatutários, e também de aposentadorias por órgão da União.

É possível verificar que durante o período, os órgãos que teve mais contratações foi a Advocacia-Geral da União com 6.292 concursados, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) com 7.287 concursados e a Polícia Federal (PF) com 14.323 concursados, que pretende chamar mais mil aprovados em concurso nos próximos dois anos.

Em relação à aposentadorias, os comandos das Forças Armadas, – Aeronáutica (6.716 reservistas), Marinha (7.516 reservistas) e Exército (9.500 reservistas) -, IBGE, INSS e ministérios, como Agricultura e Saúde, são os órgãos que registraram mais.

Apenas 23 órgãos, dos 278 disponíveis, mostraram um resultado negativo, ou seja, teve mais aposentadorias do que contratações por concurso no período.

De 1995 até março de 2019, foram contratados por concursos 3,9 mil servidores estatuários. No mesmo período, 7,7 mil servidores se aposentaram.

Um dos ministérios que deve ter mais aposentadorias nos próximos anos é o da Saúde, a pasta possui 201,5 mil funcionários, sendo 168 mil servidores estatutários. No período de 24 anos, foram contratados 21,6 mil servidores enquanto outros 76,4 mil deixaram os quadros do ministério.

O levantamento também mostra que há um padrão de pico nos pedidos de aposentadoria dos servidores, quando há uma reforma da Previdência em andamento. Por exemplo, quando Michel Temer (MDB) em 2017, tentou aprovar sua reforma, foram feitas 22,4 mil concessões de aposentadorias. No Brasil, ao menos 108 mil servidores já podem solicitar a aposentadoria.

Fonte: Anasps Online


TCU adia análise de bônus de eficiência da Receita após pedido de prazo do governo


Consultor Jurídico     -     22/05/2019




Após o governo enviar um ofício pedindo 30 dias para se manifestar, o Tribunal de Contas da União adiou mais uma vez, nesta quarta-feira (22/5), a análise da representação referente ao bônus de eficiência e produtividade dos auditores-fiscais da Receita Federal.

Na semana passada o colegiado também já havia adiado a análise de uma representação que questiona a validade do bônus, implementado pela Lei 13.464/17, que partiu da Secretaria de Macroavaliação Governamental (Semag) do Tribunal de Contas da União, sob a alegação de que haveria irregularidades no pagamento da parcela remuneratória.

Na ação, o Sindifisco é representado pelo escritório Costa Couto Advogados, que entende que a regulamentação da forma de pagamento do bônus de eficiência pode e deve ser feita por meio de decreto, não havendo a necessidade de lei.

"Defendo que esse tipo de política, pautando parcela da remuneração do serviço público pelo seu desempenho e cumprimento de metas, é saudável para o país e deve ser valorizada e fomentada", afirma o advogado Juliano Costa Couto.

Explicações

Em março, o ministro Bruno Dantas determinou que o Ministério da Economia e a Secretaria da Receita Federal se manifestassem sobre os indícios de irregularidades apontados no pagamento do "bônus de eficiência e produtividade" a auditores fiscais.

Na decisão, o ministro explicou que a Semag apontou irregularidades nas supressões legislativas entre a edição da MP 765/2016 e a conversão na Lei 13.464/2017.

"Foram arroladas diversas irregularidades que, se confirmadas, podem caracterizar não conformidade na execução dos pagamentos das aludidas parcelas remuneratórias, por colidirem com princípios, preceitos constitucionais e normas gerais de finanças públicas."

Por Gabriela Coelho - correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.


Governo pretende digitalizar mil serviços até o ano que vem


Agência Brasil     -     22/05/2019




Brasília - O governo federal pretende digitalizar mil serviços até o fim do ano que vem. Caso a meta seja alcançada, cerca de 80% dos quase 3 mil serviços públicos prestados pelo Executivo Federal estarão disponíveis por canais eletrônicos, como sites pela internet ou aplicativos para smartphones.

A meta foi apresentada hoje (22) pelo secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Paulo Uebel, durante o Painel Telebrasil. O evento reúne, em Brasília, autoridades, empresas e analistas para discutir os desafios das telecomunicações no país.

Atualmente, dos 2.897 serviços dos órgãos da administração pública federal, mais de 1.250 estão digitalizados, o que equivale a 42%. Segundo o secretário, a digitalização envolve a simplificação de processos, a melhoria e integração das bases de dados, a automatização de determinados procedimentos (como atendimento ao público) e o treinamento de servidores.

Uebel apontou que a disponibilização dos serviços na internet faz parte do plano de transformação digital do governo federal. “Temos a questão do digital, de como incorporar nos nossos processos, na formação de servidores e na elaboração de políticas públicas. Isso sintetizamos em um governo digital. O aumento de 1% do governo digital traz ampliação de 0,5% no PIB [Produto Interno Bruto], de 0,13% no IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] e de 1,9% no comércio internacional”, destacou.

O secretário afirmou que o governo mantém um painel de monitoramento do andamento dos processos de digitalização nos diversos órgãos. Ele apresentou um cálculo utilizado pelo ministério segundo o qual o retorno sobre o investimento nessas mudanças é, em média, de mais de 300%. A expectativa é que a economia com a transformação digital do Executivo chegue, no total, a R$ 6 bilhões.

Até julho, a expectativa do governo federal é que todos os serviços da Previdência Social estejam digitalizados. À Agência Brasil, o secretário de governo digital do Ministério da Economia, Luís Felipe Monteiro, afirmou que até o fim do ano o mesmo processo deverá ocorrer na área de infraestrutura.

Com isso, diversas atividades hoje realizadas pela pasta e por agências (como a da Aviação Civil, Anac, e dos transportes terrestres, ANTT) poderão ser feitas por canais eletrônicos. Isso não significa, pontuou Monteiro, que os postos de atendimento deixarão de existir, mas que o cidadão também terá a possibilidade de resolução por meios digitais.

Digitalização da economia

Paulo Uebel destacou que a transformação digital do governo faz parte de uma mudança geral na sociedade. Segundo ele, até 2025, a economia digital deverá movimentar US$ 23,3 trilhões (R$ 93,7 tri). A projeção foi apresentada pela empresa Huwaei em 2018, em um estudo denominado “Índice Global de Conectividade”.

O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Leonardo Euller, afirmou que o destravamento desse potencial depende da ampliação da conexão à rede mundial de computadores. No Brasil, cerca de 30% dos cidadãos ainda não têm acesso à web. “A agenda digital depende de conectividade. Não há conectividade sem infraestrutura de telecomunicações. Ela é o pilar principal para transformação digital do país”, defendeu.

Representantes das empresas colocaram a necessidade de mudanças na legislação para estimular investimentos. O presidente da Vivo, Cristian Gebara, reclamou da alta carga tributária e defendeu a aprovação do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 79, de 2016. A proposta traz uma série de mudanças na legislação de telecomunicações, como a transformação das concessões das redes que eram do sistema Telebrás (e foram repassas à iniciativa privada) em autorizações e a entrega dessa infraestrutura às firmas que hoje a exploram (cujas avaliações dos valores variam e chegam a R$ 100 bilhões) em troca de metas de investimento em banda larga.

O PLC é polêmico. Foi aprovado no Senado, mas uma decisão do Supremo Tribunal Federal obrigou o retorno da matéria à Casa para votação em plenário. Arquivada na legislatura passada, ela agora é analisada na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT).

No Painel Telebrasil, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse estar “otimista” com as perspectivas de aprovação. O presidente relatou ter conversado com a relatora, senadora Daniela Ribeiro (PP-PB). Segundo ele, há disposição para avançar na apreciação da matéria na comissão para, depois, marcar a votação em plenário. A Agência Brasil procurou a senadora, mas não conseguiu retorno até o fechamento desta matéria.


Câmara aprova o texto base da MP da reforma administrativa


Agência Brasil     -     22/05/2019




Brasília - O plenário da Câmara dos Deputados aprovou no início da noite de hoje (22) o texto base da Medida Provisória (MP) 870/19, que trata da reforma administrativa do governo do presidente Jair Bolsonaro que reduziu o número de ministérios de 29 para 22. Os deputados agora votam os destaques, que são sugestões de mudanças no texto.

Dois destaques já foram rejeitados: a recriação dos ministérios do Trabalho e da Cultura.

Os deputados aprovaram o texto da comissão mista que analisou a matéria. O texto transferiu de volta para o Ministério da Economia o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O governo havia transferido o órgão para o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O texto também transferiu novamente para o Ministério da Justiça e Segurança Pública a Fundação Nacional do Índio (Funai), que também ficará responsável pela demarcação de terras indígenas. Antes o órgão estava subordinado ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos e a demarcação era uma atribuição do Ministério da Agricultura.

Os deputados firmaram um acordo para evitar uma das polêmicas, a recriação de dois ministérios fundidos (Cidades e Integração Nacional). Pelo acordo, os deputados aprovaram a manutenção dos dois no Ministério do Desenvolvimento Regional, revertendo a mudança proposta pelo projeto de lei de conversão do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).


Parte do rombo da Previdência vem do alto salários dos servidores, diz Maia


Correio Braziliense     -     22/05/2019




'A sociedade acaba pagando a conta de entregar ao poder público muito mais do que ele precisaria', disse Rodrigo Maia em seminário do Correio6

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse, nesta quarta-feira (22/5), que 60% do Brasil é a favor da reforma da Previdência, e salientou que uma das dificuldades para implementar as mudanças é o tamanho do serviço público. Maia disse que, em parte, quem aumentou a estrutura administrativa foram os governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, os dois do PT, que governaram o país durante 13 anos. Rodrigo Maia participou do seminário Previdência, por que a reforma é crucial para o futuro do país?, promovido pelo Correio e pelo Estado de Minas.

"O salário dos servidores públicos, pelo tamanho do estado ou pela estrutura criada pelos ex-presidentes Lula e Dilma, fez com que (a Previdência) se tornasse um problema complicado. Hoje, é 77% mais caro no governo federal e 30% nos estados. A sociedade acaba pagando essa conta de entregar ao poder público muito mais do que ele precisaria ou deveria ter para sua existência. Precisamos ter coragem para mudar", detalhou o presidente da Câmara, que participou do penúltimo painel do evento.

Maia disse que a cada dois servidores públicos, há duas pessoas com função comissionada. E salientou que, na Câmara, excluídos os gastos com os parlamentares, o custo seria de R$ 4 bilhões apenas com o quadro técnico.

"O custo da administração pública é responsável por parte dos nossos problemas. Boa parte dos melhores servidores do país estão na Câmara. Temos orgulho, mas é caro. Precisamos ter a coragem de dizer que vamos construir uma nova Previdência e um novo estado, ou vamos continuar vivendo com 40 milhões de brasileiros que procuram emprego ou desistiram de procurar emprego", acrescentou o presidente da Casa.

BPC e aposentadoria rural

Fiador da Previdência, Rodrigo Maia reconheceu que as discussões sobre retirar o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e as questões envolvendo a aposentadoria rural são válidas. Contudo, disse que a idade para deixar o trabalho (65 anos para homens e 62 para mulheres), que tem sido um problema na sociedade, reflete basicamente o que ocorre atualmente. "Homens mais simples se aposentam antes dos 65 anos e as mulheres, em média, aos 61 anos de idade. Mas as pessoas ainda não entendem isso", detalha.

Outro ponto citado pelo deputado é a economia de R$ 1 trilhão proposta pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e que, embora amplamente divulgada, não foi explicada à população. "Falar em economizar R$ 1 trilhão é algo que precisa ser bem explicado para a sociedade brasileira, mas não tenho dúvida que o equilíbrio do sistema previdenciário é importante para que aqueles que querem investir no Brasil a longo prazo tenham certeza que não voltaremos a ter moratória e não aumentaremos taxa de juros".

Por fim, Rodrigo Maia disse que espera do governo um posicionamento proativo, "como tem sido", frisa, e implemente mecanismos para trazer investimentos ao setor privado. "Não adianta reformar o estado se a democracia não estiver madura", finaliza.

Por Bernardo Bittar


Advocacia-Geral obtém condenação de ex-auditora da Receita por enriquecimento ilícito


BSPF     -     22/05/2019




A Advocacia-Geral da União (AGU) obteve a condenação de ex-auditora da Receita Federal por enriquecimento ilícito. A atuação ocorreu por meio de ação civil pública por ato de improbidade administrativa ajuizada contra a ex-servidora.

No processo, a Procuradoria-Regional da União da 2ª Região (PRU2) – unidade da AGU que atuou no caso – apontou que a Receita havia constatado em auditoria patrimonial que a ré havia obtido evolução patrimonial sem comprovação de origem lícita por meio de doação, pretensamente realizada por parente da autora, no valor de R$ 598 mil, sendo que foi apurado que a doadora em questão não teria vencimentos e patrimônio compatíveis com o montante transferido – fato comprovado em sindicância patrimonial que posteriormente resultou na demissão da ex-servidora.

A procuradoria pleiteou o bloqueio de bens da ex-auditora no valor de R$ 598 mil, suspensão de direitos políticos por oito anos; e pagamento de multa civil à União também no montante de R$ 598 mil, tendo o pedido sido acolhido em primeira instância.

A acusada chegou a recorrer à segunda instância e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas os recursos foram julgados improcedentes e a condenação foi mantida.

Referência: Processo n° 0101973-09.2012.4.02.5101 – Justiça Federal do Rio de Janeiro.

Fonte: Assessoria de Imprensa da AGU


Doador de sangue poderá ficar isento de taxa em concursos federais, decide CCJ


Agência Senado     -     22/05/2019




A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou nesta quarta-feira (22) um projeto de lei que livra concurseiros de pagarem a taxa de inscrição nos concursos da União, caso consigam comprovar que são doadores de sangue. O texto (PLS 503/2017), que foi analisado na CCJ em decisão terminativa, poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados, se não houver recurso para análise em Plenário.

A iniciativa, da senadora Rose de Freitas (Pode-ES), condiciona a gratuidade à comprovação da condição de doador de sangue pelo candidato no momento da inscrição. Essa comprovação poderá ser feita por meio de registro em carteira feito por hospital, clínica ou laboratório. O interessado deverá mostrar que doou sangue pelo menos uma vez a cada seis meses nos últimos dois anos.

Rose alega que a medida produzirá efeitos irrisórios sobre as contas públicas, mas, em contrapartida, deverá melhorar a crônica falta de estoque nos bancos de sangue país afora, salvando vidas. A senadora ainda avalia que a proposta contribuirá para o aumento da consciência social sobre a importância de doar sangue e sobre a obrigação do poder público de incentivar a população a fazê-lo.

O relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), lembrou que iniciativas semelhantes, que dão benefícios ao doador de sangue, já tiveram a legalidade questionada na Justiça. Mas as vantagens — que vão desde a gratuidade de inscrição em concurso público, passando pela preferência no atendimento até a meia-entrada em eventos culturais — foram consideradas constitucionais.


Sem reforma, não haverá recursos para pagamento de servidores, diz Bolsonaro


BSPF     -     22/05/2019




O presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que se a reforma da Previdência não for aprovada, em no máximo cinco anos, não haverá recursos para pagamento de servidores na ativa. A declaração de Bolsonaro foi proferida durante solenidade para receber a Medalha do Mérito Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

“Não podemos desenvolver muita coisa por falta de recursos, por isso precisamos da reforma da Previdência. Ela é salgada para alguns? Pode até ser, mas estamos combatendo privilégios. Não dá para continuar mais o Brasil com essa tremenda carga nas suas costas. Se não fizermos isso, 2022, 2023, no máximo em 2024, vai faltar dinheiro para pagar quem está na ativa”, disse.

Durante o evento, o presidente disse, ainda, que está trabalhando para desburocratizar e melhorar o ambiente de negócios no país, para que os empresários brasileiros alcancem o sucesso e consigam gerar mais emprego e renda para a população.

Fonte: Anasps Online


Criação dos ministérios das Cidades e Integração Nacional vai ser abandonada


G1     -     21/05/2019




O governo do presidente Jair Bolsonaro praticamente acertou com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a votação nesta quarta-feira (22) da medida provisória 870, que reestrutura a Esplanada dos Ministérios, mas sem a criação das pastas das Cidades e da Integração Nacional.

Mais três pontos devem ir a plenário nesta quarta: a retirada do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça, a transferência da demarcação de terras indígenas do Ministério da Agricultura para Funai e a limitação dos poderes de auditores fiscais em investigar casos de corrupção.

Em reunião nesta terça-feira (21), na casa de Rodrigo Maia, da qual participaram Davi Alcolumbre, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), o presidente da Câmara disse que os partidos da Câmara não têm interesse em aprovar a recriação dos ministérios das Cidades e Integração Nacional.

Durante a reunião, Maia destacou que a ideia da volta das duas pastas foi do próprio governo, para tentar pacificar a relação com sua base de apoio no Legislativo. Mas logo depois seguidores do presidente Jair Bolsonaro passaram a criticar a medida, dizendo que era uma iniciativa de partidos do "Centrão" numa volta do toma lá dá cá.

No encontro, a princípio, ficou encaminhado que será, então, votado um destaque retomando a configuração original da MP do governo, que fundiu Cidades e Integração Nacional no Ministério do Desenvolvimento Regional.

Esse ponto, segundo apurou o blog, é quase consensual e tende a ser aprovado nesta quarta-feira pelo plenário da Câmara dos Deputados e, posteriormente, no Senado Federal. Com isso, a recriação de Cidades e Integração Nacional deve ser abandonada.

Em relação aos outros três pontos, durante a reunião ficou acertado que eles iriam a votação e quem tiver mais voto ganhará. A estratégia do governo é tentar limitar a votação destes quatro destaques.

Mais cedo, já havia uma articulação de líderes defendendo votar a medida provisória 870, que reestrutura a Esplanada dos Ministérios, mas sem a recriação das pastas das Cidades e Integração Nacional, ainda nesta semana. A avaliação é que o tema virou motivo de ataque de grupos bolsonaristas ao Legislativo, principalmente em redes sociais. E que os líderes avaliaram que era melhor desistir da ideia para tirar essa munição dos aliados do presidente nas redes sociais.

Um líder disse ao blog, reservadamente, que inicialmente a volta dos dois ministérios era uma forma de pacificar a relação com a base aliada, entregando o Ministério das Cidades para um nome com bom trânsito junto ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e partidos do "Centrão". Só que, logo depois, a medida passou a ser bombardeada. "Agora, o que era uma solução virou um problema. Então, talvez a melhor decisão agora seja desistir da proposta", acrescentou.

Por Valdo Cruz

(Blog do Valdo Cruz)


Reforma da Previdência: parlamentares correm para apresentar emendas


Estado de Minas     -     21/05/2019




Para emendar o texto apresentado pelo governo com as mudanças nas regras da aposentadoria, cada parlamentar precisa contar com pelo menos 171 assinaturas na Câmara

Deputados federais correm contra o tempo para conseguir alterar o texto da reforma da Previdência enviado pelo governo Bolsonaro ao Congresso Nacional. Encerra-se nesta semana o prazo para apresentação de emendas à proposta de emenda à Constituição (PEC 6/2019), que muda às regras para a aposentadoria.

Para ser analisada pela comissão especial da reforma, cada sugestão precisa contar com a assinatura de um terço dos 513 parlamentares, ou seja, é necessário ter o apoio de 171 colegas.

Com o fim do prazo para emendas, os corredores da Câmara dos Deputados assistem a uma corrida por assinaturas. As sugestões são acompanhadas de mudanças que podem cortar pela metade a previsão de economia do governo com a reforma da Previdência, estimada em R$ 1,2 trilhão.

A busca por apoio às emendas parlamentares ocorre em meio à polêmica sobre a apresentação de um texto alternativo ao do governo pelo relator da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). A avaliação nos bastidores é que as emendas parlamentares devem embasar este substitutivo. Apesar disso, o relator disse ontem que, mesmo que haja mudanças, não há “outro texto”, mas o do governo.

“O substitutivo é um termo absolutamente técnico, não há novidade em relação a isso. Estamos trabalhando em cima do projeto que o governo enviou”, afirmou Moreira, que esteve ontem na sede do Ministério da Economia com o ministro Paulo Guedes e o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho.

Guedes também depositou confiança no relator. “Estamos otimistas quanto ao compromisso de conseguirmos aprovar a reforma com a potência fiscal necessária para desbloquear o horizonte de investimentos no Brasil nos próximos 10, 15 anos”, disse o ministro.

Segundo Moreira, objetivo é estabelecer o diálogo com lideranças e com o governo para alcançar economia de ao menos R$ 1 trilhão em uma década, o que já seria 16% a menos em relação ao projeto original.

Apesar de sinalizar para a possibilidade de mudanças no texto, Moreira evitou dar qualquer detalhe e disse apenas que o relatório ainda não está pronto, pois emendas ainda estão sendo apresentadas e é preciso analisá-las.

“Está todo mundo recolhendo assinaturas. Já assinei várias emendas de deputados. Imagina se cada deputado apresentar quatro ou cinco emendas, como eu, são mais de 2 mil emendas”, afirma o deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG).

O relator da comissão especial pretende concluir relatório até 15 de junho. Mas Delgado calcula que, pela quantidade de material, o texto só deve ser votado em agosto, embora o governo trabalhe com o prazo de julho.

Economia menor

Delgado também avalia que não há ambiente para aprovar o texto do governo, que depende do voto de 308 parlamentares, e que as emendas serão a base de um texto alternativo que tenha maior consenso entre deputados. Além das sugestões de parlamentares, há também emendas das bancadas. “As alterações propostas pelo PSB chegam numa economia de R$ 700, R$ 800 bilhões”, diz.

A maior resistência no Congresso Nacional é em relação às mudanças no benefício assistencial ao idoso e à pessoa com deficiência (BPC), que dá a garantia de um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 anos e baixa renda. Outro ponto de discordância diz respeito à aposentadoria rural.

“Hoje tem muita gente trabalhando contra a reforma. Se tivesse aprovado a de Michel Temer (MDB), o país já teria dado o recado que precisava. Sou voto favorável, mas não aceito a mudança na aposentadoria rural, no BPC e nem nas prefeituras, polícias Militares e Civil”, afirma o deputado Fábio Ramalho (MDB-MG), ex-vice presidente da Casa Legislativa. “Acho que a reforma aprovada vai atingir economia de R$ 500 bilhões”, avaliou.

O prazo para deputados apresentarem emendas à reforma da Previdência termina nesta semana, mas integrantes da comissão especial que discute o assunto na Câmara pleiteiam sugerir mudanças até a data prevista para a última audiência pública, 29 de maio. A ampliação do prazo conta com o apoio dos coordenadores de bancada e foi discutida com o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

‘Propostas melhores’

Apesar de considerar a proposta de reforma da Previdência do governo a mais adequada para votação no Congresso, o presidente Jair Bolsonaro convocou os descontentes com o texto a apresentar suas versões. Em discurso na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), ontem, Bolsonaro desafiou os parlamentares a apresentar suas versões para solucionar a questão previdenciária.

“Se a Câmara e Senado têm propostas melhores que a nossa, que ponham em votação”, disse Bolsonaro, sendo aplaudido pela plateia. “O que precisamos agora é a reforma da Previdência”, completou, ao dizer que, se ela não for aprovada, faltará dinheiro para pagar o salário dos servidores, nos próximos cinco anos.

“Não podemos desenvolver muita coisa por falta de recursos, por isso precisamos da reforma da Previdência. Ela é salgada para alguns? Pode até ser, mas estamos combatendo privilégios. Não dá para continuar mais o Brasil com essa tremenda carga nas suas costas. Se não fizermos isso, 2022, 2023, no máximo em 2024, vai faltar dinheiro para pagar quem está na ativa”, disse.

Jair Bolsonaro lançou ontem campanha publicitária “Nova Previdência. Pode perguntar”. As peças apresentarão pessoas comuns com dúvidas sobre a proposta que está em tramitação no Congresso. O objetivo da equipe de comunicação do governo é aproximar o tema da população e tirar dúvidas. A campanha foi produzida pela agência Artplan ao custo de R$ 37 milhões.

Por Flávia Ayer