sábado, 17 de dezembro de 2011

A previdência do funcionalismo



O Estado de S. Paulo      -      17/12/2011






Se contasse com o apoio firme de uma bancada capaz de entender a urgência da criação do fundo de previdência complementar para o setor público - como entenderam os deputados estaduais de São Paulo, que aprovaram por grande maioria projeto nesse sentido para o funcionalismo estadual -, o governo da presidente Dilma Rousseff já teria conseguido a aprovação, pelo Congresso, do projeto que cria o fundo dos servidores federais. Mesmo tendo sido obrigado a aceitar várias alterações no projeto, defendidas por seus aliados, o governo viu frustrado seu objetivo de criar o fundo federal ainda este ano. Por falta de articulação de sua base, a votação, que deveria ocorrer na quarta-feira passada, foi adiada para fevereiro.

Previsto na reforma da Previdência de 2003, o regime de previdência complementar para os servidores públicos de todos os níveis já deveria estar em vigor há muito tempo. A criação desse regime é necessária e urgente. Só com a equiparação dos funcionários públicos aos demais trabalhadores brasileiros vinculados ao INSS será possível começar a reduzir o gigantesco déficit do sistema de aposentadoria e pensões do setor público.

No ano passado, os funcionários federais contribuíram com R$ 22,5 bilhões para o sistema de aposentadoria, mas as despesas com benefícios alcançaram R$ 73,7 bilhões. O déficit, de R$ 51,2 bilhões, foi coberto com dinheiro dos contribuintes. Se nada mudar, esse déficit continuará a crescer indefinidamente. A situação é semelhante nos Estados e nos municípios.

Com a criação dos fundos, os servidores passarão a ter os mesmos direitos dos trabalhadores vinculados ao INSS, cujos benefícios estão limitados a R$ 3.691,74. Como eles, para terem direito à aposentadoria de maior valor, os funcionários terão de contribuir para um fundo de previdência. É justamente a criação desse fundo que o governo Dilma queria ver aprovada em 2011.

A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou a criação de fundo idêntico com presteza. Apresentado no fim de agosto pelo governador Geraldo Alckmin, o projeto que institui o regime previdenciário complementar do funcionalismo público do Estado foi aprovado por 57 votos a 22 pelo Legislativo de São Paulo. Apesar da complexidade do tema, o projeto teve tramitação muito rápida na Assembleia, onde passou por mudanças - a principal das quais foi a exclusão da Polícia Militar do novo regime previdenciário - que não alteraram a essência da estrutura originalmente proposta pelo governo. São Paulo é o primeiro Estado a criar o fundo de previdência do funcionalismo.

As novas regras valerão para os funcionários contratados pelo governo de São Paulo após a publicação da lei que cria o fundo paulista de previdência complementar. A adesão ao novo regime será voluntária. Essas regras valerão também para o funcionalismo federal.

Nessa questão, o PT tem tido atitude contraditória. No plano federal, parte do partido tentou atender à exigência da presidente Dilma Rousseff de apressar a votação de projeto de criação do fundo para os servidores da União - e o fez exigindo mudanças na proposta original que agradam a suas bases eleitorais, mas impõem custos adicionais ao Tesouro, o que retardou a votação pelo Congresso. No plano estadual, porém, votou contra a iniciativa quase idêntica do governador Alckmin, sem deixar claras as razões de seu voto.

A criação do fundo federal foi considerada uma das prioridades de seu governo pela presidente Dilma Rousseff logo depois de sua posse. O projeto de criação desse fundo foi apresentado em 2007, mas, por falta de iniciativa do governo anterior, estava praticamente parado no Congresso. Para fazê-lo andar, o governo Dilma fez algumas concessões, como a criação de fundos específicos para funcionários de cada Poder (e não um fundo só, como se previa no projeto original) e o aumento da contribuição do participante e, consequentemente, também do governo, para que aumente o valor do benefício a ser pago no futuro. Nem assim, porém, conseguiu aprovar o projeto em 2011, como queria.



Share This

Pellentesque vitae lectus in mauris sollicitudin ornare sit amet eget ligula. Donec pharetra, arcu eu consectetur semper, est nulla sodales risus, vel efficitur orci justo quis tellus. Phasellus sit amet est pharetra