Ana D’Angelo
Correio Braziliense
- 04/06/2013
Ministério do Planejamento considera "inviável"
medida provisória que pretendia promover à elite do funcionalismo federal 4.755
técnicos e analistas.
Governo enterra MP da alegriaMinistério do Planejamento
afirma ser inviável a proposta que promove 4.755 servidores com aumentos que
passam de 200%
O Ministério do Planejamento enterrou a proposta de medida
provisória encaminhada pela Subsecretaria de Contabilidade Pública da
Secretaria do Tesouro Nacional (STN), que promove 4.755 técnicos e analistas
com formação em contabilidade à elite do funcionalismo federal, numa nova
edição do famoso trem da alegria. Conforme reportagem publicada ontem pelo
Correio, eles teriam reajustes de mais de 200% de 2014 a 2016, passando a
receber salários que ultrapassariam os R$ 22 mil no caso dos analistas. A pasta
da ministra Miriam Belchior afirmou que o texto de MP enviado foi considerado
"inviável" e que as conclusões foram encaminhadas ontem à STN.
"Concluiu-se não haver possibilidade de transposição de
servidores para carreiras que venham a ser criadas, tampouco, está prevista a
criação de carreiras ou de estruturas remuneratórias especiais", informou
o Planejamento. O órgão destacou que "os reajustes, fruto de negociação
com todas as categorias, estão definidos até 2015".
O Ministério da Fazenda e a Secretaria do Tesouro Nacional
negaram na última sexta-feira o envio formal da proposta, que gera custos
adicionais de mais de R$ 600 milhões por ano, que "não tem apoio
técnico" dos dois órgãos. Afirmaram ter sido uma iniciativa do
subsecretário Gilvan Dantas, que é contador. Tanto o Planejamento, em seus
registros internos, quanto a Controladoria-Geral da União, no relatório de
Prestação de Contas da Presidência da República relativo a 2012, sustentam que
a MP foi encaminhada oficialmente pela STN. O fortalecimento da área contábil
do governo é uma cobrança feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em 2006
e em 2012, ao encontrar diversas falhas na prestação dos gastos públicos.
O presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRC) do
Distrito Federal, Adriano Marrocos, afirmou que o texto da medida provisória
foi elaborado pela entidade e revisto por servidores públicos da área. O
presidente do CRC garantiu que o envio do texto da minuta da MP por meio da STN
havia sido uma orientação do diretor do Departamento de Planejamento das
Estruturas e da Força de Trabalho da pasta do Planejamento, Antônio Amaral, com
a tutela da cúpula da STN.
"Entregamos pronta a redação. Primeiramente, seria
enviada por meio de memorando do CRC. Mas o próprio Planejamento falou que, se
mandasse com apoio e chancela do Tesouro, seria mais fácil o trâmite. Foi
sugestão do próprio diretor (Amaral)", afirmou Marrocos.
Falta de pessoal
O dirigente da entidade disse ter estranhado a posição da
STN e da Fazenda, que informaram ao Correio não apoiar os reajustes propostos.
"O assunto foi encaminhado para lá e a equipe do Tesouro participou (das
discussões). Eles decidiram então por chancelar essa proposta. Politicamente,
eles devem estar encontrando alguma dificuldade", comentou.
Segundo Marrocos, os órgãos setoriais de contabilidade do
Executivo têm passado por grandes dificuldades em decorrência da falta de
pessoal qualificado, o que foi apontado pelos relatórios do TCU, que exigiu
providências urgentes do governo. O presidente do Sindicato Nacional dos
Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon), Rudnei Marques, afirmou
que o problema das falhas do sistema contábil do Executivo precisa ser
resolvido, mas que não concorda com a forma como está sendo feito, pois não
houve discussão com a categoria.
"Os servidores ficaram apreensivos, pois foram pegos de
surpresa, quando já havia o encaminhamento de uma proposta de não sabe por
quem, mas que efetivamente saiu da STN", afirmou. Segundo ele, a questão
gera desconfiança, pois traz quase 5 mil servidores para dentro do Tesouro,
cujo total é mais que o ciclo de gestão reunido, sem que a categoria seja
ouvida.
O assunto foi encaminhado para lá e a equipe do Tesouro
participou. Eles decidiram então por chancelar essa proposta"
Adriano Marrocos, presidente do Conselho Regional de Contabilidade
do Distrito Federal
R$ 23.490
Salário final de analista em contabilidade em julho de 2016
com gratificação de desempenho de 100%, de acordo com a MP
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