BSPF - 09/06/2013
Em uma década, idade média de servidores diminui 10 anos.
Especialistas alertam para o risco de serviços ruins e de escassez de mão de
obra em áreas estratégicas
O funcionalismo público rejuvenesceu como nunca na última
década. De 2003 para cá, a idade média dos servidores do Executivo na ativa
despencou de 56 para 46 anos. A queda livre — média de um ano por ano — reflete
uma cultura em que o primeiro emprego tem nome: estabilidade. Hipnotizados pela
promessa de ganharem bem, não serem explorados e terem uma carga horária muito
bem definida, milhares de jovens têm ignorado qualquer outra possibilidade que
não seja trabalhar para o Estado, escasseando a oferta de mão obra estratégica
para o crescimento econômico do país.
Levantamento feito pelo Correio com base nos boletins
estatísticos de pessoal do Ministério do Planejamento confirma a invasão jovem
nas repartições. Em 10 anos, o número de servidores com até 30 anos de idade
quase triplicou, pulando de 26,4 mil para 71,9 mil, uma variação de 171%. A
proporção desse grupo no universo de funcionários públicos, no mesmo período,
cresceu de 5,8% para 13,5%, enquanto a faixa etária entre 40 e 50 anos
apresentou redução de 44,6% para 22,5% (veja arte).
O caminho dos bancos escolares direto para ministérios,
autarquias ou agências reguladoras acirra o conflito entre gerações e reacende
o debate em torno da produtividade no funcionalismo. Em tese, os jovens
deveriam dar novo gás ao ambiente de trabalho e acelerar o esperado choque de
gestão na máquina pública. Mas a nomeação antes de qualquer outra experiência
profissional e com foco somente na estabilidade aumenta — e muito — a
possibilidade de frustração dos mais novos e de baixa produtividade nos
serviços públicos, alertam especialistas.