Correio Braziliense
- 06/06/2015
Uma semana após o início da greve de professores nas
instituições de ensino superior federais, a adesão passou de 18 instituições,
em 28 de maio, para 24, segundo o levantamento mais recente do Sindicato
Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes).
A categoria critica o corte de R$ 9 bilhões do orçamento da educação anunciado pelo governo federal no mês passado e os atrasos nos repasses de verbas desde 2014. E pede uma reestruturação da carreira, incluindo melhores condições de trabalho e reposição de 27% de perdas salariais durante o governo Dilma Rousseff, de acordo com cálculos do Andes.
A categoria critica o corte de R$ 9 bilhões do orçamento da educação anunciado pelo governo federal no mês passado e os atrasos nos repasses de verbas desde 2014. E pede uma reestruturação da carreira, incluindo melhores condições de trabalho e reposição de 27% de perdas salariais durante o governo Dilma Rousseff, de acordo com cálculos do Andes.
A expectativa é que a mobilização se intensifique na próxima
semana, quando serão realizadas assembleias em diversos estados. Até o momento,
as paralisações estão concentradas nas regiões Norte e Nordeste, incluindo a
Universidade Federal da Bahia (Ufba). A Universidade Federal do Maranhão (Ufma)
foi uma das mais recentes a aderirem à greve. A decisão foi tomada em reunião
na última terça-feira (2), quando os professores decidiram cruzar os braços por
tempo indeterminado a partir da próxima quarta-feira (10). Servidores de 56
instituições também estão em greve, de acordo com a Federação de Sindicatos de
Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior
Públicas do Brasil (Fasubra).
Na Universidade Federal Fluminense (UFF), além dos docentes
e servidores, alunos aderiram ao
movimento desde 28 de maio. A instituição está com prédios fechados desde
março, devido a problemas de orçamento. Elevadores não funcionam e houve corte
no fornecimento de água. "Na semana passada, cortaram o telefone",
conta a professora Renata Vereza, presidente da Associação dos Docentes da UFF.
A reitoria suspendeu as negociações na segunda-feira. O local chegou a ser
ocupado por alunos na última semana. Na Universidade de Brasília (UnB),
docentes realizam assembleia também na próxima quarta (10) para discutir a
questão. Servidores entraram em greve na semana passada.
Francisco Jacob, primeiro-secretário do Andes, critica a
falta de abertura do governo, que não marcou nenhuma reunião com a entidade nos
últimos dias. "Ninguém faz greve porque gosta. É uma forma de dialogar com
a sociedade em geral e mostrar a intransigência do governo", afirma. O
Ministério da Educação (MEC) tem dito que está aberto a negociações, e o
Ministério do Planejamento, responsável pela discussão sobre os reajustes, afirmou,
em nota, que, "após ouvir todas as demandas (dos grevistas), será
apresentada a contraproposta governamental, o que ocorrerá ao longo do mês de
junho". (MF)