Agência Câmara Notícias
- 03/06/2015
Atualmente, os servidores são obrigados a deixar o trabalho
aos 70 anos. O limite de 75 anos já é aplicado para a aposentadoria compulsória
de ministros do STF, dos tribunais superiores e do TCU
Tramita na Câmara dos Deputados projeto de lei complementar
(PLP 69/15) que estende de 70 para 75 anos a idade para aposentadoria
compulsória de todos os servidores públicos, nas esferas federal, estadual e
municipal.
A aposentadoria compulsória dos ministros do Supremo
Tribunal Federal (STF), dos tribunais superiores e do Tribunal de Contas da
União (TCU) já ocorre aos 75 anos desde a promulgação da Emenda Constitucional
88, em maio deste ano. Na proposta que originou a emenda, apresentada em 2003
pelo então senador Pedro Simon, havia indicativo de ampliação da norma para
todos os servidores públicos, por meio de lei complementar.
De acordo com o autor do PLP 69/15, deputado Bruno Araújo
(PSDB-PE), a matéria acompanha a mudança de expectativa de vida dos
brasileiros, que passou de 39 anos, nos anos 1940 (quando foi criado o teto
para aposentadoria), para 74,9 em 2013.
Segundo o parlamentar, a medida também traz benefícios para
a economia, ao poupar gastos na Previdência Social, e para o mercado de
trabalho, que passa a aproveitar melhor uma mão de obra qualificada.
"Os alunos nas
universidades ganham ao ter mais contato com professores que hoje, na sua plena
capacidade intelectual, são forçados a deixar a academia aos 70 anos. Sem
contar o caso de médicos que resolvem, por vocação, resolvem continuar no
serviço público, mas são obrigados a sair ao atingir essa idade”, exemplificou
Araújo.
Contraponto
Já o deputado Henrique Fontana (PT-RS) avalia que o balanço
é primário. Para ele, a medida pode ter outros lados, como o de represar
recém-formados que estão ingressando na carreira pública.
"Para fazermos a chamada economia previdenciária,
deixaríamos durante cinco anos o País congelado. Ou seja, aqueles que estão
saindo das universidades, que hoje estão estudando ou começando a construir a
suas carreiras não teriam espaço para entrar no serviço público",
argumenta Fontana.
Pelo texto em análise, o servidor público que chegar aos 70
anos poderá escolher se quer se aposentar ou se quer continuar em atividade por
mais cinco anos. A retribuição previdenciária é proporcional ao tempo de
contribuição.
Tramitação
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, será
analisada pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e
Justiça e de Cidadania.