Folha de S. Paulo
- 10/12/2011
A duração média das greves dos servidores federais mais que
triplicou no ano eleitoral de 2010, para 39,2 dias. Foi o segmento que
apresentou a maior alta.
Nos dois anos anteriores, a duração e o número de greves
havia recuado, reflexo dos mais de 30 acordos coletivos firmados entre 2007 e
2008 com diversas categorias.
Esses acordos fixaram reajustes até 2010, o que reduziu o
movimento grevista. Com o fim dos acordos, as greves voltaram no ano passado.
Os funcionários do Ministério do Trabalho, por exemplo,
pararam por mais de seis meses por reestruturação da carreira, sem sucesso.
Segundo o secretário de Recursos Humanos do Ministério do
Planejamento, Duvanier Paiva, no cargo desde 2007, as greves ficaram mais
longas por causa da eleição:
"As categorias fizeram a leitura de que o governo fica
enfraquecido em ano eleitoral. Mas não podíamos assumir compromissos para 2011,
quando mudaria o governo".
Durante o governo Lula, a despesa com pessoal saltou de R$
75 bilhões para R$ 183 bilhões, mas manteve-se em cerca de 5% do PIB (Produto
Interno Bruto), ressalta ele.
A orientação da nova presidente, Dilma Rousseff, foi de
apertar os cintos por causa da crise externa. Segundo Duvanier, a maioria das
categorias entendeu o novo contexto "de restrição severa do
orçamento" e não parou.
Depois de 23 greves em 2010, só duas categorias pararam
neste ano, afirma: a dos servidores dos institutos de ensino técnico e a dos
funcionários administrativos das universidades (paralisação de mais de três
meses).
Já entre as estatais, a greve nos Correios durou 28 dias (a
maior desde 1994). Segundo Rivaldo da Silva, presidente da categoria, a
paralisação se estendeu porque o governo não aceitou negociar sem suspensão da
greve.
"O governo Dilma não tem a mesma postura do governo
Lula, que era mais próximo dos movimento sociais", diz.
Para o professor José Dari Krein, do Centro de Estudos
Sindicais da Unicamp, a duração das greves continuou aumentando em 2011, nos
setores público e privado.
Segundo ele, o desemprego baixo dá mais segurança para o
trabalhador se arriscar em greves. Já a inflação alta deixa o empregador menos
inclinado a dar ganhos reais.
A greve dos bancários deste ano durou 21 dias e foi a maior
desde 2004. A dos operários da Volkswagen no Paraná foi recorde (37 dias).
Segundo José Silvestre, do Dieese, é difícil estimar os
prejuízos que as paralisações trazem para a sociedade.
O Banco Central atribuiu à greve dos bancários a alta da
inadimplência em outubro, por exemplo. Com agências fechadas, os credores
tiveram dificuldade em negociar e recorrem a crédito caro, como cartão e cheque
especial.