Isabel Braga
O Globo - 08/12/2011
Titular da pasta, Garibaldi diz que, sem mudanças nos fundos
público e privado, novas gerações vão pagar preço alto
BRASÍLIA. O ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho,
fez um apelo dramático em favor da aprovação de reformas no sistema previdenciário
brasileiro, tanto o dos servidores públicos como o da iniciativa privada.
Segundo Garibaldi, se a reforma não for enfrentada pelo Congresso, as futuras
gerações poderão pagar um preço alto, e a Previdência continuará a ser "um
abacaxi", em referência a declarações que deu no discurso de posse no
ministério.
Em debate no plenário da Câmara sobre o Fundo de Previdência
Complementar do Servidor Público (Funpresp), o ministro disse que o Brasil
passará por situações como as de países europeus e citou o choro da ministra do
Trabalho e Assuntos Sociais da Itália, ao anunciar mudanças no sistema
previdenciário de seu país.
- A ministra da Itália chorava quando do anúncio das medidas
de austeridade tomadas. Por que esperar por isso? É uma tragédia anunciada, no
sentido administrativo e político. Ou tomamos providência no campo da
Previdência ou nos veremos diante de uma situação muito difícil. Se a
Previdência continuar como está, ela será um abacaxi ontem, hoje e sempre.
Garibaldi defendeu o Funpresp e comparou o déficit da
Previdência do setor público - hoje de R$51 bilhões, e que em 2011 chegará a
R$57 bilhões - com o déficit da Previdência da área privada, de R$43 bilhões, e
que atende a cerca de 29 milhões de aposentados e pensionistas do INSS:
- Um país não pode continuar sob pena de dizer que não vai
pagar aposentadorias e pensões.
O governo trabalha para votar, terça, o projeto do Funpresp.
Há pressão dos aliados, especialmente do PT e de partidos à esquerda, para
aumentar a alíquota de 7,5% para 8,5%. O governo resiste. A base pressiona pelo
aumento para tentar resolver o problema de servidoras, policiais federais e
policiais rodoviários que têm direito, pela Constituição, a aposentadorias após
30 anos de serviço. O tempo de serviço dos servidores homens é de 35 anos, e o
projeto calcula o benefício integral com base em 35 anos de contribuição.