Ari Cunha
Correio Braziliense
- 18/10/2013
(Visto, Lido e Ouvido)
Parece que tem alguém dando fim, contando os dias ou
leiloando algum bem. Um bem público. Um bem que já foi um dos principais órgãos
do país e era reconhecido como tal. Era a transparência do governo na era
analógica. A cada dia que passa, a Imprensa Nacional vai definhando. Os
terceirizados tentam manter diariamente as máquinas aquecidas. O descaso, a
falta de investimentos, o corte de 50% de funcionários… Os áureos tempos deram
lugar à depressão e à tristeza.
Nos 151 anos de publicação do Diário Oficial da
União, o D.O.U., a angústia toma conta do lugar e das pessoas. Não é só o
descaso da União, é também a presença da internet, que ainda não foi bem
explorada. Há chance de inovação, já que a rede mundial de computadores ensina
ao mundo como ser bem-vindo. A agilidade, o alcance, a rapidez e a
interatividade proporcionados pelo ambiente virtual são pontos favoráveis à
publicação do Diário Oficial. Acontece que, com as restrições orçamentárias, a
Imprensa Nacional só tem verba para manter o que já existe. E pelo sinal dado
na última audiência pública (autoridades do governo não apareceram) para
discutir o futuro do órgão, não é preciso ter bola de cristal para saber o que
vai acontecer. O som do martelo...