Revista Veja
- 20/09/2014
Ana Magni, diretora executiva do Assibge-SN, explica que
falta de verba e recursos humanos, aliado a muita pressão por cumprimento de
prazos e produtividade permitem que erros aconteçam
Poucos recursos humanos e materiais e uma forte pressão por
produtividade e cumprimento de prazos levaram ao erro estatístico na Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), admitido pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira. A avaliação da
"fórmula" do insucesso é da diretora executiva do Sindicato Nacional
dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatísticas
(Assibge-SN), Ana Magni. "Isso em algum momento implica erros. Errar é
humano, mas trabalhar no IBGE hoje é que é desumano. A pressão é muito grande
sobre poucas pessoas", disse Ana em entrevista ao jornal O Estado de S.
Paulo.
A diretora do sindicato dos trabalhadores do IBGE, porém,
não acredita em manipulação de dados, o que considera uma "associação
imediatista". Mas, ela lembra que a revisão dos dados favoreceu o governo
em alguns pontos, como nos números sobre distribuição de renda, mas foi
desfavorável em outros.
Ao anunciar os "números certos" da pequisa, o IBGE
colocou em risco sua credibilidade. Economistas ouvidos pelo site de VEJA
classificam o erro como "grosseiro" e "primário" quando se
trata de um órgão cuja única função é prover dados oficiais sobre o Brasil.
Em abril, uma crise institucional foi instaurada no IBGE
quando a presidente, Wasmália Bisval, afirmou que a Pnad Contínua, que calcula,
entre outros índices, o de desemprego, teria sua metodologia revisada a pedido
de senadores petistas. A Pnad acabara de divulgar que a taxa de desemprego de
2013 havia sido maior que a calculada pelo instituto no âmbito da Pesquisa
Mensal de Emprego (PME).
A possibilidade de revisão fez com que houvesse uma ameaça
de debandada de técnicos da Pnad. Na sequência, uma greve teve início e foi
capitaneada, justamente, por aqueles que apuravam a Pnad. Foram 79 dias de
paralisações que afetaram os trabalhos do IBGE e atrasaram a coleta de dados em
vários Estados.
"Fizemos isso (greve) para alertar o governo que era
preciso dar tratamento diferenciado a essa instituição, mas logo que saímos da
greve houve novo corte que reduziu para menos de um terço o orçamento das
pesquisas inicialmente previsto. Isso impacta fortemente o plano de trabalho no
IBGE", disse a diretora do Assibge-SN. A análise do sindicato é oposta à
do diretor de Pesquisa do IBGE, Roberto Olinto, que descartou, em entrevista na
sexta, um impacto da greve dos servidores do IBGE no erro da...
Leia a íntegra em Para sindicato, trabalhar no IBGE hoje é 'desumano'