Angélica Martins
O Dia - 15/12/2015
Greve passa de 100 dias, deixa mais de 700 mil auxílios
retidos e deve entrar em 2016
Rio - A greve dos
médicos peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já completa 102
dias sem negociação. E, de acordo com a previsão da Associação Nacional dos
Médicos Peritos (ANMP), os segurados vão continuar enfrentando longas filas
para conseguir a perícia em 2016. A entidade tem até a próxima sexta-feira para
assinar o acordo com o Ministério do Planejamento, mas o presidente da ANMP,
Francisco Eduardo Cardoso, adianta que 90% dos associados já votaram contra as
propostas do governo e a suspensão da greve.
A associação faz enquete online com os peritos filiados e, a
partir do resultado, a diretoria vai decidir o futuro da paralisação. A
consulta termina hoje de manhã. “Temos certeza de que o projeto do governo não
vai ao encontro de nossas reivindicações. E se não houver mudanças no acordo, a
greve continua por tempo indeterminado”, afirmou Cardoso.
Por meio de nota, o INSS informou que, entre setembro e
novembro deste ano, 1.047.239 perícias foram marcadas em todo o país, mas o
órgão calcula que cerca de 730 mil pedidos de concessão de benefícios como
auxílio-doença e aposentadoria por invalidez estejam represados. Ainda segundo
o instituto, o tempo médio de espera para o agendamento da perícia passou de 20
dias (antes do início da greve) para 63 dias.
“O INSS reconhece todas as dificuldades impostas à população
pela não regularização do atendimento da perícia médica e espera que as
negociações entre o Ministério do Planejamento e os servidores da carreira de
perito médico previdenciário sejam concluídas com brevidade para a pronta
retomada dos serviços”, informou o órgão na nota.
A proposta do governo consiste no reajuste geral dado ao
funcionalismo federal, de 10,8% em dois anos, e a criação de comitê de
reestruturação da carreira, mas não trata da efetivação da jornada de 30 horas
e do fim da discussão da terceirização das perícias, que os peritos cobram. Por
enquanto, as perícias estão sendo feitas com 30% do efetivo da categoria.