BSPF - 03/11/2017
Sindicatos já iniciaram paralisações pelo país em protesto
contra medida do governo federal
Brasília - Sindicatos que representam funcionários públicos
federais vão entrar na Justiça contra a medida provisória editada nesta semana
que adia o reajuste salarial e eleva a contribuição previdenciária dos
servidores. Em protesto, eles já iniciaram paralisações pelo país. Na
quarta-feira, auditores fiscais, que também estavam insatisfeitos porque
ficaram sem bônus salarial, foram os primeiros a cruzar os braços.
Nos aeroportos e aduanas, os auditores deram início a uma
operação padrão em que todas as cargas e bagagens são revistadas como forma de
atrasar as liberações. Suspenderam ainda trabalhos em escritórios da Receita
Federal, o que afeta fiscalizações e, consequentemente, a arrecadação de
tributos.
No dia 10 de novembro, está programada uma manifestação que
pretende levar trabalhadores às ruas em várias cidades do país. “O próprio
governo espera essa reação diante das atrocidades que foram cometidas”, disse o
presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Sindifisco), Cláudio
Damasceno. “As entidades vão reagir de forma articulada, não só na atuação
parlamentar, como na via judicial e com estratégias de paralisações conjuntas”,
completou.
Pacote
Como parte do pacote de ações para cortar despesas e
aumentar receitas, o governo enviou na segunda-feira a medida provisória 805,
que inclui o adiamento do reajuste dos servidores de 2018 para 2019 e o aumento
da contribuição previdenciária de 11% para 14% para quem ganha acima de R$
5.000.
Em entrevista, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira,
disse que a Advocacia Geral da União (AGU) está preparada para defender a
decisão do governo de congelar o reajuste dos servidores. Segundo ele, a União
deu reajuste de 6% em média neste ano para as categorias, embora a inflação
tenha ficado em torno de 2,5% no período.
“A situação deste ano não justifica movimentos mais
contundentes. Para o ano que vem, não tem como, não cabe na conta do Orçamento.
As categorias deveriam levar em consideração esses fatores, a situação do país,
a quantidade de desempregados”, afirmou. Oliveira disse ainda que a medida
atinge as categorias que já ganham mais. “Para se ter uma ideia, a média de
salário dessa turma é de R$ 13 mil por mês. Em número de servidores, a quantidade
não é grande, mas em termos de salário é um grupo elevado”, explicou.
Fonte: O Tempo