BSPF - 15/05/2014
Servidores pedem reajuste, benefícios aos aposentados e
antecipação de acordos
Às vésperas da Copa e em ano eleitoral, Dilma Rousseff já
enfrenta nova onda de greves no funcionalismo federal.
A paralisação poderá atingir ao menos 500 mil servidores,
afetar serviços que vão da segurança de aeroportos à fiscalização de fronteiras
e mexer com o humor do Planalto.
Em geral, servidores pedem reajuste, política mais clara de
evolução na carreira, benefícios aos aposentados e antecipação de acordos
salariais firmados em 2012.
Ontem (13), funcionários de consulados cruzaram os braços. A
paralisação continua hoje e, segundo o Itamaraty, afetou nove postos, como Nova
York e Paris, além de serviços como emissão de vistos e certidões de
nascimento.
Na semana passada, a base de servidores da administração
federal aprovou indicativo de greve para 10 de junho –a dois dias da Copa.
A Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal,
que representa grande parte desses servidores, também quer fazer atos em 12 de
junho nas cidades-sede.
Na Copa, há ameaça de paralisação de agentes, escrivães e
papiloscopistas da PF.
Os sindicatos aproveitam o cenário político delicado, de
crise de popularidade de Dilma e de tensão pré-Copa, para pressionar o
Planalto.
"Se continuar a intransigência, a caracterização será a
de um governo que não dialoga com o trabalhador. E isso terá impacto [na
eleição]", diz Gibran Jordão, coordenador-geral da Federação dos
Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras, que lidera
greve que já dura quase dois meses.
A lei diz que é proibido dar aumento geral a servidores em
ano eleitoral. Mas, em 2006, Lula concedeu reajustes pontuais a algumas
categorias.
Recai sobre Dilma a responsabilidade de não ter mexido,
desde 2012, na regulamentação do direito de greve do servidor federal, que
definiria parâmetros objetivos para o funcionamento pleno das atividades
durante a Copa.
Não há regra clara sobre quantos servidores deveriam
trabalhar nas paralisações das próximas semanas.
Fonte: Folhapress