Agência Brasil
- 14/05/2014
No terceiro dia da greve dos servidores do Ministério da
Cultura (MinC) e instituições vinculadas, 12 dos 30 museus administrados pelo
Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) ficaram de portas fechadas, como o
Museus Nacional de Belas Artes e Museu da República, no Rio de Janeiro.
Amanhã (15), representantes dos grevistas se reunirão com a
secretaria-executiva do MinC e a secretaria de Relações de Trabalho do
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (Mpog). Eles devem discutir a
equiparação salarial com servidores da Agência Nacional de Cinema(Ancine) e da
Fundação Casa Ruy Barbosa.
Além da recomposição dos salários, os servidores reivindicam
melhores condições de trabalho, maior participação nas políticas públicas do
ministério, além da unificação da categoria. De acordo com o presidente da
Associação dos Servidores do Ibram (Asbram), André Angulo, o movimento está
disposto a discutir o reajuste para o ano que vem, caso isso signifique um
impacto fiscal para o Ministério do Planejamento.
“Se não for possível a equiparação de salário para este ano,
nós propomos analisar os parâmetros para um reajuste no ano que vem. Mas algo
tem que ser feito por nós. Para se ter uma ideia, o servidor entra no MinC
ganhando R$ 4.200 e 30 anos depois, quando se aposenta, sai ganhando R$ 5.500.
Em 30 anos de trabalho, a pessoa só leva R$ 1.300 a mais no salário”, explicou.
Segundo André Angulo, até segunda-feira (19), outros órgãos
ligados ao MinC devem aderir à greve. Só no estado do Rio de Janeiro, oito
museus do Ibram paralisaram as atividades em apoio ao movimento. “Estamos em
uma crescente. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
de Brasília (DF) aderiu hoje (14). Até segunda-feira, outras superintendências
do Iphan, como em Pernambuco, no Pará e Ceará, também devem aderir à
paralisação”, disse.
O Ministério da Cultura informou, em nota, que está ouvindo
as reivindicações. “Estudamos com os servidores possibilidades e encaminhamentos”,
diz o texto.
Já o Mpog informou, em nota, que continuará discutindo
assuntos do interesse dos servidores, exceto “reivindicações que signifiquem
impacto orçamentário, as quais estão contempladas no acordo em vigor”.
Segundo o ministério, o acordo assinado com as entidades
representativas dos servidores públicos federais em 2012/13 têm validade até
2015, incluindo os servidores do MinC. Já a Confederação dos Trabalhadores do
Serviço Público Federal (Condsef) afirma que um acordo assinado especificamente
com os servidores da cultura, no ano anterior ao fechamento do que está em
vigor, previa negociação das pautas reivindicadas em até 180 dias, o que não
aconteceu.